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Você já trabalhou como atriz, modelo e agora está trabalhando como estilista. Esse é o futuro de Emma Watson?
Oh, eu não tenho planos de ser estilista. Estou fazendo isso porque me importo muito com comércio justo e moda ética. Estou muito grata com o que me envolvi, mas eu não quero todo o crédito do design porque eu não fui treinada como designer e nem fiz aulas de arte – na verdade, antes de começar, eu não tinha ideia alguma da quantidade de trabalho que isso envolveria.
Então essa não é uma linha de Emma Watson?
Eu não quero que essa coleção seja totalmente minha. Esse não é um endosso da celebridade, é sobre criar alguma coisa que é genuinamente uma grande ideia e sobre fazer diferença na moda.
De onde veio essa colaboração sua na linha?
Isso aconteceu porque meu amigo Alex Nicholls estava vestindo uma camiseta ótima da People Tree, que eu gostei. Então ele me contou tudo sobre a marca – ele conhecia Safia e disse que eu deveria conhecê-la. Ele me apresentou a ela e eu a adorei. Algumas semanas depois, ela gostou da ideia de uma linha para adolescentes – eles faziam roupas para adultos e para crianças, mas nada para a passagem desses níveis – e ela me perguntou se eu queria ajudar a fazer isso acontecer. Eu disse sim de cara.
Boa jogada da People Tree! – todo adolescente quer se vestir como você!
Eu sou muito interessada por moda e estive trabalhando bastante no mundo da moda recentemente – é uma indústria muito influente, então percebi que tentar ajudar as pessoas, tentando aliviar a pobreza através de uma linha de moda, poderia funcionar. A moda é uma ótima maneira de capacitar as pessoas e dar-lhes competência; em vez de dar dinheiro para caridade, você pode ajudar comprando as roupas que eles fazem e apoiar coisas que eles têm orgulho. É tão simples!
De onde você tirou inspiração para o design dessa linha?
Olhei no meu guarda-roupa de verão e pensei, “Se eu filtrasse tudo isso e só ficasse com o básico, como seria?” A resposta foi coletes de algodão, camisetas fáceis de vestir e alguns acessórios como lenços e peças de linho. Para a linha de garotos, fiz jaquetas, que eu sei que eles vão adorar. As roupas são bastante britânicas, por isso tiramos as fotos em um jardim britânico – é tudo muito morango, creme e tênis.
Nós gostamos das camisas com frases do tipo “Não sou tóxico” (“I’m not toxic”) e “Por favor, sem pânico! Sou orgânico!” (“Please, don’t panic! I’m organic!”).
Eu não estava interessada em pregar – ninguém quer parecer muito sério ou grave. Eu também me orgulhei bastante de uma estampa de margaridas – é divertida e bagunçada. Eu queria fazer roupas que fossem usáveis, modernas e fáceis.
Qual é a sua parte preferida da coleção?
Eu usaria todas as roupas, que são feitas em Bangladeche, Índia e Nepal, e também tem ótimas bijuterias – especialmente um colar feito de papel de doce reciclado, que é feita em Bangladeche. Ele também vem em uma caixinha feita do mesmo material. Brilhante!
Deve ter sido uma ótima fonte de aprendizado para você, estar na parte de design pela primeira vez…
Foi muito divertido passar pelos livros de cores da Pantone com Safia, mas sim, eu tive que aprender rápido. As cores do papel nem sempre são iguais às das fábricas, então você tem que ser paciente. Você aprende mais a cada dia, e tudo consome muito tempo! Quando vimos o primeiro lote de exemplos, gostamos de alguns mas tivemos que mudar muitos outros.
Se tudo correr como o esperado, essas roupas vão estar fora de estoque muito antes da primavera chegar!
Eu gostei muito do ensaio de fotos. Todos os modelos são meus amigos: minha amiga, que mora comigo, Sophie, meu irmão Alex. Eu basicamente pedi em favor – a maioria do elenco é amigo também. Eles são todos super-talentosos, então eu tenho muita sorte deles estarem preparados para ajudar. Eu chamei Andrea Carter-Bowman para fazer as fotos, pois amo o trabalho dela. Além dela ser jovem. Então essa coleção é toda para pessoas jovens. Estou muito orgulhosa disso – era exatamente assim que eu imaginava que seria.
Você está sempre na moda, mas já conhecia a moda sustentável?
A primeira vez que escutei falar sobre moda sustentável foi durante um projeto de geografia, e eu lembro de ter indagado: “Por que tudo não é sustentável?”. Todos conhecem a reciclagem de banana e café, mas claro que qualquer coisa pode ser sustentável. Moda sustentável custa um pouco mais que o normal, mas permite que aqueles que a fazem ganhem um bem-estar decente; conseguindo sustentar suas famílias e viver com dignidade.
Mas você acha que é possível curtir moda de rua e também apoiar a sustentabilidade?
É importante ver a diferença entre a moda rápida, que é feita de maneira ágil e por um preço muito baixo, e a moda sustentável. Então, se você compra uma camiseta por duas libras, você apenas precisa fazer uma pequena conta e verá se a pessoa que a fez está sendo devidamente paga.
Quão realista é que a geração Primark irá comprar nesta visão e conceito?
Parece clichê, mas somos o futuro. A terra é nossa e será dos nossos filhos, e acho que mais do que qualquer outra geração estamos avisados dos problemas ambientais e humanitários. É por isso que é tão maravilhoso que a People Tree esteja fazendo algo direcionado a pessoas da minha idade – porque estamos, sim, preocupados e iremos comprar conscientemente. Espero que mais companhias sigam o exemplo da People Tree.
Traduzido pela equipe do nosso site parceiro, ScarPotter.
Obrigada!




